sabato 13 maggio 2017

impossivel deixar de pensar no meu irmao...aqui umas linhas de Memoria Tumultuada...

Não sou fujão, nem covarde, nem herói, sou um desgarrado, talvez desertor,mas quem vai me julgar? Os heróis estão enterrados em vala comum, não sójudeus, cristãos também. Os mortos e vivos podem ser contados, osdesgarrados nunca, porque não são nem vivos, nem mortos, são como fantasmas. Minha fuga começou em 37, mas eu não sabia, só a perceberiamuitos anos mais tarde.
Meu pai, minha mãe, minha irmã saíamos para as férias, todo o ano saíamos,sempre o mesmo trajeto, levados pelo Orient Express: Hungria, Áustria, norte da Itália, Suíça, França, parada final Paris, hotel Scribe perto da Place de L'Opera. O velho tinha bastante dinheiro, aliás, tinha muito para nos hospedar no Ritz, no Athené, no Crillon, mas ele dizia que o Scribe tinha atmosfera, que era onde Hemingway se hospedara depois da guerra de 18. O velho era muito esperto, tinha que ser. "Eu já era rico, judeu rico tem passaporte para vida", ele dizia. "Eu era soldado raso, da cavalaria romena, judeu não podia ter patente, nem cabo, nem sargento, eu me dava bem com os coronéis, perdia no pôquer, eles eram sempre os ganhadores, na véspera das batalhas eu era destacado para tomar conta dos estábulos, todos os judeus dos regimentos
morreram com tiros nas costas".







o meu irmao ja conhecem...
meu pai ja velhinho  e
sem gravata :) 


venerdì 12 maggio 2017

PULCHRIS STUDIO - La HAYA - Holanda

uma boa noticia! :

dia 7 de Junho  ate o dia 7 de Julho estarao expostas 10 obras minhas e varios cadernos nesta Pulchris Galeria ( ou Studio )  na cidade de La Haya.  Estarei junto a outra pintora holandesa que viveu muitos anos no Mexico.  Esta mostra foi organizada pela Embaixada do Mexico .

aqui foto de la Galeria:

giovedì 11 maggio 2017

 :





martedì 9 maggio 2017

Todo dia, a melancolia

Havia, no princípio, um verbo. Que fosse amar, talvez, pois para isso existimos. O certo é que era uma palavra. Que guardasse em si, talvez, toda a memória do mundo, pois é disso que existimos. Iosif Landau, com muita coragem, voltou ao seu começo, para escrever este livro, em que a personagem principal não é inventada, nem qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência: é ele, Iosif Landau, um homem em estado de absoluto tumulto. Vasculhando cada pedaço de sua alma, por meio de lembranças, ele fez uma espécie de acerto de contas consigo mesmo, passou a
limpo o passado, assumiu suas alegrias, prazeres, culpas, perdas, danos e enganos. Coisa que não é para qualquer um.
Eu me pego pensando agora, que estou escrevendo o prefácio de uma vida. Um privilégio que é de poucos também. Mas não quero estender-me além da parte que me cabe. Amo o amigo, respeito o escritor e admiro a sua obra, constantemente me assustando: Iosif Landau não é de esconder mensagens nas entrelinhas. Suas palavras, tal como suas feridas e cicatrizes, são sempre
explícitas. Com sua caligrafia inconfundível — ele escreve compulsivamente — tem hora que Iosif Landau vai atropelando as palavras, desprezando indefinidos artigos e pronomes, como se estivesse atrás da palavra essencial. Em outro momento são as palavras que o atropelam, como se somente elas não bastassem. Repare, gentil leitor, este livro é cheio de cheiros, cores, imagens e
sons. É uma história de amor. Com todas as suas contradições.
Iosif Landau aprendeu que é o público quem decide a sorte da arte e do autor.
Mas escreve conforme recomendou Voltaire: "O verdadeiro pecado é escrever para o público". É possível que ele nem se dê conta disso. Página por página, o escritor e poeta reflete, com intensa melancolia, sobre questões que o atormentam e para as quais ele não encontra explicação. Judeu, nascido na Romênia, viu-se livre dos campos de concentração, vindo morar no Brasil, que ele considera o seu céu. E passou a viver o inferno de sua vida em reviravolta, tendo que conviver com a maldade que há no mundo. Outras tantas vezes foi salvo. Pela vida, pelo amor, pelos amigos, mas a maldade permaneceu no mundo. Por que estou vivo e sofro? Esta é a grande indagação de Iosif Landau, o pivô de sua melancolia. Afora a saudade do que ele não viveu. A nostalgia do que virá. Sua maior constatação, melancólica também, é a de que
existem respostas que não têm perguntas. Amanhã o sol vai nascer de novo.

Ele sabe.
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Silvana Guimarães
Belo Horizonte, 11 de maio de 2002.


lunedì 8 maggio 2017

domenica 7 maggio 2017

D’accord, alors je commence par te dire que mes fantômes, sont réels. Oui, ils sont rouge, ochre, bleu,surtout l’outre mer, splendide nom! orange, , j’adore l’orange pas celles qu’om mangent, non, la couleur., le  jaune soleil, j’adore…vert? Non. Vert c’est pour les laitues les arbres les champs. Le noir m’attire, sombre, mystérieux,  comme quelques vies. J’en ai connus. Le blanc, blanc, oui. Attention, parfois il semble sale…comme d’autres aussi, connus, …Gris, hum, non pas tellement, j’aime pas mes  cheveux , ils sont gris. Bon, un peu. Faut quand même que je ressemble,  un grain, à quelques uns de mes fantomes

Rythmes de ma vie. C’est le non générique de mes fantômes.  Rythme “quelque chose”, chacun. Et  chacun d’eux, danse avec moi, comme je dansais  un temps d’antan avec quelqu’un dans un quelconque pays.  Des danses féeriques frénétiques qui m’ont coupé le souffle. Et malgré  “à bout de souffle” , j’suis ici… devenue fantôme comme eux. Tant mieux car à présent, mon nom est tout simplement Rythme Anonymeinconnu..Fantastique ou phantastique? 
Un rayon d’arc-en-ciel me touche. Baguette des fées.. Je deviens étincelle. Etoile. Clair de lune. Grain de sable blanc caressée par le soleil , celui que j’aime,  au bord de la mer – laquelle? – les pieds nus  dans l’eau : bleu turquoise.  Isla Mujeres. Tulum. Ciudad del Carmen.
 Lui... aux yeux vertsbleuscouleursdela mer...oui...lui...

C,est si loin tout cela...   etait- ce vrai?






Tulum - ruinas no mar -  ultimo  recorrido com Pablo ...
 por Mexico maravilhosos antes de partir...

sabato 6 maggio 2017

eu vi eu vi de novo...
...e o que viu?
vi guerras, estive na Coréia, no Vietnã, na Chechênia, nas praias da Normandia,
senti o cheiro dos excrementos vindo das tripas dos soldados com o ventre aberto,
vi prisões na China, no Brasil, pisei na urina nos seus corredores malcheirosos,
vi a Somália faminta, homens, mulheres, crianças só pele e osso apodrecendo ao sol,
vi corpos decapitados nas planícies africanas, nas savanas incendiadas,
vi párias se banhando nas águas do Ganges pestilento, enquanto
marajás fumavam charutos e bois e vacas santificadas defecavam,
vi tiros e pedradas na faixa de Gaza e fingidas conversas de paz que jamais será,
vi bombas em Dublin e nos Países Bascos, em Londres, em Tel Aviv, em toda parte,
vi dois milhões de mortos na Indochina, meio milhão de comunistas trucidados na
Indonésia, quinze milhões enterrados na Sibéria,
vi a eficiência do Zyrkon-B, dez mil mortos em cada 24 horas,
vi os massacres em Wounde Knee, My-Lai, Ludice, Attica e Carandiru,
vi camponeses, pergaminhos esturricados na seca perene, e mortos em Canudos,
vi mãos decepadas nos reinados das Mil e Umas Noites, mulheres escondendo o rosto como
no tempo de Saladim, sem esperança de amor e carinho e luz do sol,
vi corpos boiando no maior rio da Terra, ganância e descaso imperando,
vi homens, mulheres, crianças mutiladas por minas terrestres em Angola,
vi o assassinato de Sacco&Vanzetti, os Rosenbergs eletrocutados, Herzog enforcado,
vi balas encravadas em Kennedy, Luther King e Malcom X, John Lennon apagado,
vi disenteria, centenas de sem-tetos, corações triturados, almas ocas,
vi o desespero de multidões querendo alcançar as estrelas...
...e não há esperança?
se houver um julgamento final, a humanidade inteira será condenada?
e as crianças, as almas puras serão poupadas?
sonhei uma vez, a cidade estava inundada, todos fugiam, na minha frente um homem
estendia a mão trêmula, pedia ajuda, socorro:

 era Deus?




Poema do Iosif - 2003