mercoledì 7 giugno 2017

Marie - Louise Ferrari

A minha amizade com Marie Louise Ferrari comencou com um cafezinho e uma gaffe minha.
Marie Louise era todo um personagem, e nao somente naquela cidadezinha.
Fez parte da Resistencia francesa na segunda guerra mundial.
Em Xalapa era conhecida e admirada por su apoio as Artes.
 Xalapa era considerada cidade de grande cultura.
 A Universidade Veracruzana, segunda melhor do Mexico.
 Uma Orquestra Sinfonica melhor a que a do DF.
Un Museu de Antropologia conhecido no mundo inteiro pela sua fabulosa colecao de Arte Antigo Mexicano.

Marie Louise vivia na casa mais bela de Xalapa, de 1600 e algo mais .Estava catalogada Patrimonio Nacional. Um jardim que era um paraiso.

Marie Louise acostumava convidar as pessoas que algo tinham que ver com arte, escritores, pintores, musicos, etc. quando ali chegavam. Entao como  eu ja era conhecida no DF., me convidou. Nos encontramos .As duas felizes de poder falar frances! Tinha alem do mais uma biblioteca que nao acabava mais. Uma maravilha.
Bem como disse, me ofereceu um cafezinho e me perguntou si com azucar ou nao. Respondi que somente colocava azucar quando o cafe era ruim. Apenas provei um pouco do cafe, e pedi  azucar, ah! disse ela, entao meu cafe e ruim? lapsus meu...e respondi  mto sem geito, que sim...Ela riu e disse que iriamos ser muito amigas. J,adore la franchise! e riu.

Esta amizade durou mais de vinte anos. Ela me ofereceu, insistindo viver numa casa de sua propriedade, bem perto da sua. Nunca quiz que eu pagasse nenhum aluguel .Preferia de vez em quando uma obra minha. Obvio, agora o sobrinho - herdou uma  grande  colecao de Landaus...
 Um dia assim de repente adoeceu e faleceu rapidamente para a enorme tristeza de todos que a amavamos.
Eu perdi uma irma,  Ate hoje  depois de tantos anos sinto terrivelmente  a sua ausencia -  uma tragedia....  

 Marie Louise esta agora somente no meu coracao e saudades...A generosidade, a amizade e a alegria dela, sao para mim impossiveis de esquecer.






je t,aime....tu me manques...

martedì 6 giugno 2017

PALHACO - Iosif Landau



no sofá, sentado no meu canto predileto,
cabeça encostada no respaldo gasto,à minha frente, na parede do lado esquerdo
um entalhe de madeira comprado na feira hippie,
assustador, escuro, cabeça disforme, serpentes, lembrou-me da minha alma perturbada,
acima dele em papier maché, enorme cabeça de palhaço,
nariz vermelho, olhos tristes, colarinho folgado,no brechó empoeirado,
paguei uma nota preta,
sou eu, moldado com fiel semelhança,
passo o olhar indolente pela estante, livros desordenados,
misturados, são meus sentimentos,
CDs empoeirados, não os ouço faz tempo,
como também não ouço mais meus lamentos desconexos,
mais adiante, fotos de todas as eras,
coloridas, misturadas em estética desordem atrás de sólido vidro,
meu deleite quando as visitas exclamam: que família bonita!
logo em seguida, numa moldura simples e barata,
oito jovens, olhares triunfantes, com as mãos nos remos
vencedores da prova Oswaldo Aranha,
na raia da Lagoa,o ano de 1942,
ou talvez um ano depois, não importa,
agora, no limiar de 2002, essa foto, quase um epitáfio,
a morte passou por alguns,
aos outros espreita,inocência, vitalidade, coragem, afogados na Lagoa?
pela janela a brisa noturna me estremece,
o dia se apaga, a noite se estende inclemente,na escuridão da sala,
um halo cor de turquesa, juro, coroa oito cabeças,

oh, Deus, Jeová, Maomé

eles são tão sadios,
eles são tão belos
eu fui um deles,

o segredo da vida
é uma foto em preto & branco?
aceno, foi bom revê-los, amados amigos,
mandarei minhas lágrimas do Hades,
prometo, num barco a remo.

Pacis Vobiscum!


lunedì 5 giugno 2017

FUI - Iosif Landau - 2007

...e debaixo de um sol de fritar ovos
passeio, alamedas arborizadas,
túmulos e jazigos,
palácios de monumental cafonice,
sombras sem formas,
lapides castigados,
“aqui jaz um assassinado por todos os sexos”
flores murchas,almas em debandada,
destino abandonado ao destino,
“quero estar vivo nem que seja numa latrina”
um adeus solene,

soldado véspera da batalha,
“adeus às armas!”
deixo meu abraço, meu cansaço,
“aqui podem mijar a vontade”,
minha cabeça zigzagueia,
pensamentos, palavras acorrentadas,
a corrente se romperá,
mergulharei num fosso fedorento
esculpido em esterco,
não tenho pra onde ir
longo suspiro escapa da boca
os olhos se apagam
FUI


 ,


domenica 4 giugno 2017

PEDRAS - Iosif Landau

o que faz a gente escrever poemas
ou outros tipos ou maneiras
de juntar palavras e pensamentos
criar imagens com ou sem sentido
como meu amor é infinito
ou minha mente é um deserto
ou seus olhos são dois lagos fundos

mas isso é coisa de infantil inocência
no fundo da garrafa de cachaça
o poeta é um afogado em dor e mágoa
e se escreve o que sente
ele tenta se salvar do desespero
não quer ajuda nem pede socorro
mergulha na solidão e no calor do inferno
e o peso de tudo que o cerca
aponta na direção da sua nuca
facas estiletes lança pontuda
e se pensarmos bem somos todos poetas
e andamos por aí
nossas mentes esquecidas nas esquina
se batemos com punhos nosso peito
cerimonial darwiniano
e temos que recitar os poemas aos animais
com cuidado como melodias ou sinfonias
e se no meio da bicharada aparecer um humano
de olho vazado, perna cortada, e braço amputado
não parem o recital
vivemos há milênios
com mães pingando dos seios sangue e leite
e os poemas nada mais são que pedras nos cemitérios


sabato 3 giugno 2017

IOSIF FALA :

Minha geração me viu partir para a terra do Arco-Íris.
Fugi de uma terra abençoada, rica em ouro, petróleo e trigo,
de uma cidade bela e encantada, Cidade Luz dos Bálcãs,
reinado, opereta digna de um Franz Lehar.
Fugi aos poucos, sem pressa e muita dor, fugi da enchente sangrenta,
fugi da morte, do fogo e do aço escaldante, dos novos selvagens.
Aprendi que a morte não é sono ou descanso, é lua de sangue,
e te espera de olhos bem abertos, mas os anjos dos livros sagrados,
com roupagem de seda e sininhos, me cercaram e murmuraram
no ouvido: vá! vá !vá!, teus pais te esperam, tua irmã te chama.
E abandonei minha infância, meu nascimento, meus livros,
meus retratos, meu quarto e corredores silenciosos, as bestas rindo.
Trouxe comigo meu corpo, meus dezesseis anos, a poeira das lembranças,
os lençóis brancos cobrindo corpos mutilados
e dos vivos que ainda morrerão.
Deixei para sempre os túmulos dos antepassados.

Minha geração partiu para a terra do Arco-Íris,
mas levou consigo, gravadas na alma para a eternidade,
palavras doloridas e imagens de pavor,
um pergaminho secular de morte e terror,
e viajantes como eu, colecionadores de dor e temor,
"Meu Deus, meu Deus, por quê?". Ele nunca responde,
mesmo na segunda chamada, uma eterna dúvida: meu Deus?
Talvez tudo esteja escrito em livros não compreendidos,
em dicionários com palavras desconhecidas e amaldiçoadas.
Como os exilados do Faraó, esperaremos, ajoelhados na escuridão,
escondendo nossos rostos submissos, até que a humanidade
arrependida estenda seus braços e nos chame: venham irmãos,
nos somos o mundo!  

Minha geração partiu para a terra do Arco-Íris
à procura de novas ilusões e novos lares,
novas paisagens e terras macias, um Novo Mundo,
e eu tentarei atarraxar um novo rosto, de herói,
livrar-me do antigo e jogar no lixo a lâmpada queimada,
meus braços estenderei para o novo futuro.
O movimento de minha alma será o movimento das ondas
do novo mar, e meu olhar se perderá no horizonte azul,
e as mesuras de vai-e-vem das rezas são movimentos
de arrancada de um salto triplo para a nova vida.

Numa bela manhã, limpa e azul, resplandecente e luminosa,
vejo com clareza o milagre, meu neto, que me abraça rindo,
e eu visto roupas coloridas, e ouço nem perto nem longe,
vozes que cantam alegria ao som de bateria cadenciada.
Meu corpo se movimenta em harmonia com a nova alegria,
ganhei o jogo de xadrez com seus vinte e quatro quadradinhos
de desespero e vinte quatro quadradinhos de não-esperança,
estrelas brilham no meu coração, a Via Láctea bem próxima.
Hino de glória ao Deus imaginário da minha infância,
ouço o som do shofar: "as portas do paraíso se abriram".
Não beijei o solo do novo país quando desembarquei,
há sessenta anos, mas sei que me abraça,
até a ultima despedida.
Finis!




a casa que deixamos - strada Latina -Bucarest



centro de Bucarest antes da guerra





apto - 4 andar - Ed. Biarritz - Rio de Janeiro

venerdì 2 giugno 2017

MEU PAI - Iosif Landau


pai

meu pai iniciou a vida
como convinha
foi criança, foi miúdo
bem cuidado e com saúde
viu o sol raiar, o sol se pôr
e com certeza ficou encantado
e sem se dar conta
viu-se de repente crescido
suas roupas encolhidas
a infância ida.

percebeu que a vida
não era brinquedo,
em vão tentou reencontrar a Magia,
a surpresa da inexistência o fez esquecer
de vez aquilo que ele chamava de Magia

no seu coração agora só a lembrança
dos bondes, da praia virgem,
da cidade limpa como conheceu,
das salas de cinema amplas,
do sorvete de chocolate.

meu pai não teve horizonte amplo
não soube o verdadeiro significado
da felicidade, eu garanto,
esperanças sumidas como se lagoas
fossem secadas pelo inclemente sol,
escravizado de manhã ao entardecer
o dia não tinha muito pra lhe oferecer

o pai do meu pai viveu num mundo
de flores e campos verdejantes
mundo ainda primitivo, nevoado
que meu pai nunca conheceu como devia
um mundo ao qual ele deu adeus
junto com o adeus ao pai dele
assim como eu dei adeus a ele
e meu filho me dará seu adeus
do mesmo jeito

pais surgem de um ponto
e somem num outro
é tudo que sempre todos teremos,
o pai é pai enquanto precisam dele
e sempre, sempre daremos o nosso adeus
a ele
antes do tempo

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nao tenho mais fotos de meu pai..

giovedì 1 giugno 2017

AMOR FILIAL- Iosif Landau

Pai, sorriso discreto,filho, riso infante,
Amor-carinho caminha
por rostos colados.
Salmos ternura,anos flores.
Na lápide gasta a data é outra.

O filho reza
Bendito seja, meu pai,
Shema Israel... dignidade
Lembro-me de muito pouco
parei de sonhar?
Sei que a noite me amedrontava,
ele do meu lado vigiava em silêncio,
não era de muitas palavras,
transmitia segurança,
não importa se era baixo,calvo,
se portava pince-nez
se usava gravata borboleta,chapéu, colete e bengala,
foi o condutor da minha alma,
vigia da transição à adolescência,astuto, corajoso, criativo,
dirigiu o destino da família,
trouxe-nos ao porto seguro,
desmentiu a crença de que
dinheiro aniquila generosidade,
pecou por excesso dela,
criou a lenda da fortuna inesgotável,
perdoei-lhe a inofensiva vaidade,
no País do Futuro foi depenado,
acreditava na lisura do aperto de mão
tão fora de moda como gravata borboleta, colete,chapéu e bengala,
não envergou na solidão da viuvez,
nem com saudade da filha desterrada,
aceitou vida espartana,
por vezes sucumbia às lembranças,
tirava o lenço do bolso e enxugava uma lágrima,
encantava os netos
 com relatosde luxo e riqueza e então sorria.
Sem aviso, sem muitas palavras,
foi aos céus com dignidade.




meus queridos ....