mercoledì 31 maggio 2017
DEDICATORIA - LIvro Eu Vi -
Dedico este livro à minha irmã Myra, mulher corajosa e valente, culta e errante. Do Rio de Janeiro, onde viveu com a família e onde nasceu sua filha Dominique, mudou-se para o México e ali desenvolveu e maturou sua maior arte: a pintura. Expôs em muitas galerias, ganhou muitos louros. Irrequieta, viveu algum tempo em Paris, Amsterdã e depositou seu cansaço em Roma. Viajou por cantos que eu gostaria de ter ido, Israel e China. É poliglota e profunda conhecedora do idioma francês. Escreve poemas, a meu ver com muito talento, é só conferir, ler e meditar. Transcrevo alguns deles aqui, com muito amor e carinho.
Beijos, Myra querida.
POEMAS DA MINHA IRMÃ, MYRA LANDAU
1
Et soudain un mouvement
Impitoyable impétueux
M'innonde
Moi — sans identité —
aurais — je besoin d'un dentier?
Quelle pitoyable image, hélas —
Il me semble que je suis à court d'idées…
Mais continuons
Privée de sens
Fatiguée
Pressée d'en finir
Elle divague
Arrivera-t-elle la vague dévastatrice
Avec laquelle
Sur laquelle
Devant laquelle
Trouvera-t-elle
Le don autant cherché
Jamais trouvé
L'intense recherche d'dentité
Pas encore trouvée
Mais ceci
Nous ont tout permis
Liberté anarchie
Et cependant aujourd'hui
Celles-ci apparaissent jaunies
Comme de vieilles photos de famille
Ces rimes trop faciles me plongent
Dans ma réalité
La nôtre
C'est toujours elle et moi
Elle se demande — et moi avec —
A quel horizon appartiennent — elles…
Elle décide de ne plus se réveiller.
2
Le tout s'évade
guet — apens permis
Partout
Alerte
Observe l'écart du temps
Attrappe les heures au vol
Trop rapide déjà
Reste au guêt — quand même —
Si tu peux si tu veux
Je crois que t'as plus rien à faire
Et t'en qu'à faire
Tu ferais mieux de te taire
Ici sur la terre…
3
Elle et moi — toujours —
Nous seules
Au beau milieu
De ce désert
Monde devenu immonde
— je me demande —
— elle se pose la question
Inutile d'ailleurs
N'était-il pas toujours comme cela?
Oui, je lui réponds
Alors a quoi bon continuer
À quoi sert-il de se plaindre
Vaut mieux rester pendues
A cet arbre triste et gris
Aigri par le froid
Maigri par le vent
Raidi par la solitude
Allez restons là
Pendues comme ces quelques feuilles
Qui encore s'attachent éperdues
A ses branches
Faut pas désesperer
Funambules fantômes feu-follets
Nous et les feuilles
On déchire l'air ensemble
Et
Ensemble on prends le dernier vol
4
La vieillesse s'annonce petit à petit come une migraine
L'âge s'en va petit à petit comme cette migraine
Il ne reste que des demis graines
De vie
Pas se plaindre
Ne rien craindre
La mémoire est là
La lucidité n'est point feinte
La vie est encore toujours à tes côtés
Peut-être un peu caché par l'ombre
Des années
Belles années toutes si bien vécues…
Alors continue
les migraines finiront bien par s'en aller
5
Vide et rien
D'accord...
Mais dans le soc
De ma vie
Sur le socle
De ces longues années — vides —
Et rien...
Un as dans mes mains:
Je peins.
martedì 30 maggio 2017
EMILIO CARBALLIDO - dramaturgo - fala de mim:

Abrir o cerrar el campo de trabajo es una de las definiciones mas curiosmente graves que puede hacer un artista.Abrirlo:caben las galaxias, las ultrametafisica, el tiempo y el espacio, el campo, las visiones trascendentes...El macrocosmos y sus subterraneos, para ser breve.
Cerrarlo: vamos a la celula, al atomo, a lo primordial. Donde habia arvoles se vuelve cruzadero de lineas, donde habia un paisaje queda un diseno geometrico. Vamos a lo esencial,al fondo. El microcosmos y sus subterraneos. Dejamos de ver lo superficial, encontramos las esencias: relaciones, conexiones, ritmos. La belleza tiene su secreto en un equilibrio de encuentros estructurales, en lo casual de los trazos, en las oposiciones y divergencias puras sin otra meta que ellas mismas.
Myra landau es essencial. Hija o nieta de Klee, Kandinsky, configura un universo limpido y exacto pero arbitrario; colores,choques de rayas,cuadriculas purisimas y golpes de luz y de sombra, son creados con exquisita finura; proporciones minimas con un maximo de efectividad.
Vemos repetidamente lo mismo:lineas que se cruzam, colores que llenan huecos. PERO : hay panoramas inarmonicos, angustiosos, violentos. Los hay liricos como odas o mas complejos y gongorinos; los hay conflictivos. Los hay panfletarios, de protesta, de denuncia.
La expresividad de los elementos que maneja Myra es tan amplia como si pintaras desnudos, paisajes, planos arquitectonicos, y es que ESO pinta, pero reducidos a su condicion-esencial, purisima, de proporciones que se encuentran y se desencuentran y se tensan, electrizan, agriden,sensualizan...
Quiero decir que Myra es una pintora de esencias reduzidas a la pureza. Una pintora delirante y apasionada que se retrata en cada rasgo de su obra.
Su curriculum:gitana-rumano-brasilena-mexicana, mujer bella y artista loca, fuerza desatada de la naturaleza.
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hoje entro eu....
lunedì 29 maggio 2017
DESESPEROS - de Iosif Landau
I
a alma se desespera
suicidio o remedio
ate breve
II
escrevo
venco a solidao
dialogo comigo mesmo...
no fim
barcos de papel
III
estou numa luta
quem e o inimigo?
tudo indica
que serei vencido:
brigo
nao sereidestruido
importa?
IV
o dia beleza
a noite tristeza
no quarto de hotel
quem inventou a solidao?
V
sacola arrumada
passagem no bolso
na carteira foto deles
dela
Inicio a viagem
que fardo!
Voltarei?
domenica 28 maggio 2017
LOUCURA - poema de Iosif Landau
carrego uma cruz de pedra
debil idoso sou
o trabalho sempre detestei
amo sorrir para o mar
mas nao estou contente
invoco os filhos os netos
tios tias primos bisnetos
nao sou louco
nao me julguem
reconheco
desequilibrio emocional
talvez seja
por ler e meditar
improvisando poesia e prosa
vivo num mundo imaginario
meus sonhos mais felizes
afastam os tolos
em fogo que se esvairem
procuro a imagem
de um mundo bom encantado
onde
o touro e a virgem
a crianca e a prostituta
vivam contentes
loucura
asas da ilusao?
que importa
HADES me levara
minhas asas queimara


sabato 27 maggio 2017
poema curto - Iosif Landau e outro que poderia ter sido meu !
Sou
minha alma se esconde
reminiscencias!
meu destino
tristeza de nao sermos dois!
em torno aos meus sentidos
vacuos!
louco, nao enlouqueco
sou mas nunca fui
falhei!
Aqui\
aportei nessa terra
fugido de pesadelo/
Aqui sonhei - casei -
criei familia
fiz amizades:trasladei seu chao
naveguei seus rios
voei seus ceus
mergulhei nos seus mares
Cerro os olhos
procuro minhas raizes
em vao
tudo vago - esquivo -
judeu errante
Abro os olhos
na parede emoldurado
decreto da nova nacionalidade
no ceu escuro
o Cruzeiro do Sul
minha alma se esconde
reminiscencias!
meu destino
tristeza de nao sermos dois!
em torno aos meus sentidos
vacuos!
louco, nao enlouqueco
sou mas nunca fui
falhei!
Aqui\
aportei nessa terra
fugido de pesadelo/
Aqui sonhei - casei -
criei familia
fiz amizades:trasladei seu chao
naveguei seus rios
voei seus ceus
mergulhei nos seus mares
Cerro os olhos
procuro minhas raizes
em vao
tudo vago - esquivo -
judeu errante
Abro os olhos
na parede emoldurado
decreto da nova nacionalidade
no ceu escuro
o Cruzeiro do Sul
venerdì 26 maggio 2017
LUIZ - meu sobrinho

caminhamos pela beira da praia no final da tarde
o sol se punha nas Tijucas
me sentei num monticulo de areia
ele ao meu lado
a bola no horizonte cor de Van Gogh.
na areia morna pensavamos os mesmos pensamentos
um lampejo de claridade ao seu nascer nos deu
a mesma alma,
longe a esfera de fogo queimava
- me de um cigarro -
a agua azul apagado refletia o rubro ceu
o sol naufragava entre os cumes do horizonte
na praia so nos dois
meus olhos embacados, os dele funda lagoa
- veja o sol ele brilha sobre tudo que temos
nossa eternidade pestaneja com ele no horizonte
o ceu e o oceano, velho, erguei-te,
somos filhos do sol almas identicas
filho somos a mesma pessoa
olho nos seus olhos e falo comigo mesmo, o,
minha alma, como te amo,
essa minha roupagem empoeirada
essa minha pele queimada na face
esse meu olhar de negro desespero
essa fuligem humana ao teu lado sentada,
chorou quando voce nasceu
- me de mais um cigarro -
velho, olha, o sol banhado como brilha,
seus pensamentos retorcidos,
entranhas e visceras doidas,
olhos empoeirados,
para mim sao flores de sua louca coroa dourada
flores? quando foi que esqueci que eu era uma flor ?
quantas moscas zumbiram ao meu redor
quando minha alma ainda era flor ? pobre flor morta
- velho, te vejo postado a minha frente,
dirija seu olhar ao sol poente
respira a brisa
voce nunca foi fuligem
velho, me escuta, flores ao sol,
na luz da noite nunca fenecem,
num sonho as reguei para voce as amar
eu, talvez ja esteja tao velho quanto o universo,
isso nao e bom, ouco as lamurias dos incinerados,
ah! ofereco - me em sacrificio,
me deixaram de fora,
eles repousam onde o sol e cinzento,
estao sos na sua gloria
nada floresce em cinzas
- velho, nada de sofrimento para voce,
so alegrias, sinta a docura ao redor,
o ultimo momento do por do sol,
velho, vem, me acompanha,
ainda tenho muito a te falar
Filho, receba esse salmo vindo de mim,
o sopro de vida jorrado de mim,
alguma coisa de meu passado,
minha ultima transformacao,
sejas louvado.
- velho, toma , e meu ultimo cigarro!
ultima parte - Foz de Iguassu - 1973 -
Ouvi tosses, ouvi risadas, o
homem à minha frente parecia divertir-se, coloquei a mão sobre a arma apontada, por favor, tenente, o suor escorregou da nuca dentro da camisa, isso não é jogo de pôquer, seu idiota, pensei, nem um romance de Paul Auster, lá vou eu com essa mania, minha mente invocou Deus e o Demônio, os ruídos longínquos da obra não são trombetas dos santos alados, desista, ninguém liga para essa baboseira, senti-me um tolo, apertei os dedos, a mão armada cedeu,
virei o rosto, deu tempo ao tenente para guardar o revólver. —
Tenente, mais um favor, manda seu pessoal baixar os mosquetes. O cerco dos homens cada vez mais próximo sufocava-me, o odor de suor e cachaça entrou pelas minhas narinas, senti ânsias de vômito. — Tenente, obrigado, agora dê ordem de meia volta, volver. Pés arrastaram-se sobre pedriscos, o odor de suor e cachaça mais
próximo. — Tenente, o pessoal tá cercando. Sim senhor, sim senhor, voz solitária, depois mais outras, todos em coro, tive vontade de gritar "Parem! Parem! Não agridam!". Mas permaneci calado, imóvel, sabia que a exclamação coral não passava de deboche jocoso dirigido a mim, sorri, ainda vou levar a melhor. Olhei o relógio, duas da madrugada, faltavam cinco horas
para a mudança de turno, escutei a ordem dada pelo tenente, vi a tropa retirarse em silêncio pelo corredor humano aberto no meio dos operários, esperei o último meganha sumir na noite, coloquei um cigarro entre os lábios, apaguei a chama do isqueiro, chamei um dos encarregados: — Junta o pessoal! — Sim senhor. — Todos pra revezar o turno da noite! — Mas, doutor, se me permite... O movimento da minha mão calou-o. — Todos! — Sim senhor!
Joguei o cigarro aceso no chão, apaguei-o com a bota, fora um aperto, mas tudo estava resolvido. Voltei à casa de hóspedes, ela e os outros me aguardavam. — Como foi? Ouvi, não respondi. Peguei minha mulher e fui para a minha choupana.
Orgulho-me para sempre desta noite, foi em 1973.

Paul Auster um dos escritores preferidos de Iosif.
homem à minha frente parecia divertir-se, coloquei a mão sobre a arma apontada, por favor, tenente, o suor escorregou da nuca dentro da camisa, isso não é jogo de pôquer, seu idiota, pensei, nem um romance de Paul Auster, lá vou eu com essa mania, minha mente invocou Deus e o Demônio, os ruídos longínquos da obra não são trombetas dos santos alados, desista, ninguém liga para essa baboseira, senti-me um tolo, apertei os dedos, a mão armada cedeu,
virei o rosto, deu tempo ao tenente para guardar o revólver. —
Tenente, mais um favor, manda seu pessoal baixar os mosquetes. O cerco dos homens cada vez mais próximo sufocava-me, o odor de suor e cachaça entrou pelas minhas narinas, senti ânsias de vômito. — Tenente, obrigado, agora dê ordem de meia volta, volver. Pés arrastaram-se sobre pedriscos, o odor de suor e cachaça mais
próximo. — Tenente, o pessoal tá cercando. Sim senhor, sim senhor, voz solitária, depois mais outras, todos em coro, tive vontade de gritar "Parem! Parem! Não agridam!". Mas permaneci calado, imóvel, sabia que a exclamação coral não passava de deboche jocoso dirigido a mim, sorri, ainda vou levar a melhor. Olhei o relógio, duas da madrugada, faltavam cinco horas
para a mudança de turno, escutei a ordem dada pelo tenente, vi a tropa retirarse em silêncio pelo corredor humano aberto no meio dos operários, esperei o último meganha sumir na noite, coloquei um cigarro entre os lábios, apaguei a chama do isqueiro, chamei um dos encarregados: — Junta o pessoal! — Sim senhor. — Todos pra revezar o turno da noite! — Mas, doutor, se me permite... O movimento da minha mão calou-o. — Todos! — Sim senhor!
Joguei o cigarro aceso no chão, apaguei-o com a bota, fora um aperto, mas tudo estava resolvido. Voltei à casa de hóspedes, ela e os outros me aguardavam. — Como foi? Ouvi, não respondi. Peguei minha mulher e fui para a minha choupana.
Orgulho-me para sempre desta noite, foi em 1973.

Paul Auster um dos escritores preferidos de Iosif.
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