sabato 15 aprile 2017

Uma entrevista? Não gosto, não sei o que dizer..., vou dizer demais ou de menos. Vai ser muito difícil. Nesta idade é bem possível que a minha memória ande por aí..., fugindo!
Imagino que quer saber como quando e porque sou pintor. Quando? Em verdade, nem eu
sei. Porquê? Desde que tenho uso de razão, queria ser mesmo era escritora! Foi enquanto esperávamos um navio em Lisboa para ir para o Brasil, único país que nos deu visto. Foi em
1941. Eu assustada, ou não sei porquê, agarrava qualquer papel e fazia linhas ou quadrinhos,sem nenhuma ideia, sem qualquer intenção.
Por volta de 1952, já no Brasil, conheci um rapaz Franco Terranova, recém-chegado da Itália,e sem um tostão. Queria vender camisas de porta em porta. Nós, alguns amigos pintores,convencemo-lo a arrendar um lugarzinho barato, na Avenida Copacabana.
Aí começou a Petite Galerie, e assim começou a entreajuda de todos os poucos artistas que conhecia e, pouco-e-pouco, vieram mais e mais para mostrar algo… Esta Galeria foi a primeira e a melhor Galeria do Brasil.
Mudei para São Paulo. Um dia andando sem rumo pelas ruas vi uma exposição incrível de cerâmica. Entrei e conheci o ceramista Robert Tatin, e alguns dias depois lá estava com as mãos no barro. Fiz, desfiz. Queria fazer esculturas, não queria fazer pratinhos... Um dia infelizmente ele disse que tinha que ir-se embora. E eu sozinha, não podia fazer cerâmica,com forno e tudo o mais. Ele viu-me triste e disse-me: “Olha, vou-te dar um lápis, tinta china,caneta e gouaches de cores. Leva sempre um caderno contigo e desenha tudo o que vires.
Depois de fazer mil destes, volta para a casa e faz tudo de memória. Nunca vás a uma escola ou para Belas Artes. Um dia chama uma modelo e ali, vais aprender como se coloca um volume num espaço... “ E foi com estas palavras que comecei a ver e a sentir as cores, os objectos e tudo o mais. .

Estas palavras foram em 1952
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casa em Bucarest -  fim de 194o tivemos que escapar...


com este passaporte cheguei ao Rio de Janeiro




No Rio de Janeiro  o 4 andar do Ed. Biarritz  
o tramvia - bonde .  passava bem na frente...

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enormes saudades do Brasil e daquela epoca....




11 commenti:

João Menéres ha detto...

Só a esta hora ( quase 2ª feira )pude ler, Myra.
Gostei imenso de relembrar a tua passagem por Lisboa.
Acho que o teu futuro se desenhou ao ires para o Rio e encontrares o que queria vender camisas !

Um beijo muito amigo.

myra ha detto...

sim, agora ate tenho saudades do pouco que vi da Lisboa. Estivemos tbem em Coimbra, conheci Bussaco, Estoril...enfim sempre esperando poder ir, escapar da Europa em guerra..
Joao, foi no Rio que comencei a pintar...e a Petite Galerie que Franco Terranova , um dealer tipo Ambroise Vollard...conseguiu abrir com colaboracao de amigos artistas ( assim nao teve que vender camisas :))teve a certeza que eu iria a ser "boa" pintora :) tive minha primeira exposicao no Rio , e seguiram muitas...na fantastica Petite Galerie e maravilhoso amigo...

Eduardo P.L. ha detto...

Myra, magníficos os dois relatos. Quantas histórias. Que bela trajetória. Bjs

myra ha detto...

sim Eduardo, tive uma vida plena de maravilhosos eventos enfim tbem de tristezas mas fui feliz...vou continuar a escrever assim que vai ler mais ainda...se quiser logico...beijossssssssssss

Li Ferreira Nhan ha detto...

Em 2013 o edifício Biarritz foi eleito o prédio mais querido dos cariocas.

Adorei ver você na foto do passaporte; chegou aqui tão menina.
Beijos

(mandei umas imagens atuais do Biarritz pelo messenger)

myra ha detto...

Li querida que bom que veio!!!!! sim recebi algun lado vou colocar...eu estou bem feia no passaporte e que assim era mesmo, somente melhorei la pelos 18 anos.:)
bjos querida, sabe vou continuar escrevendo fiquei narcissista de velha :):):)

Li Ferreira Nhan ha detto...

Não há nada de narcisismo, você compartilha tua história conosco é nos dá um grande prazer.
Beijos.

Branca ha detto...

Muito linda a tua casa em Bucarest. Já tinha visto uma fotografia dela que publicaste há uns anos atràs, quando ainda estavas em Itália. Já vai longa a nossa amizade, :) Gostei de tudo, a tua fotografia de jovem bonita, no passaporte e o edifício no Brasil, outro estilo, mas também interessante. Muitos beijos.

myra ha detto...

Li obrigada! e mtos beijos///////////////

myra ha detto...

Branca querida amiga sempre esqueco coisas ..agora..e a idade mas agradeco ti\uas palavras!!! bjos

Branca ha detto...

Oi Myra, eu também esqueço muita coisa, mas acho bem que publiques de novo, gosto sempre de ver e há outros amigos que não conhecem, é bom ver o teu percurso e a tua diáspora. SEmpre aprendo coisas novas que vais acrescentando e outras que vemos com outra prespectiva.

Beijos, muitos.